Costa recusa esclarecer dúvidas sobre apartamento de financiador do PS

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Publicado a 17 de Março de 2015 no semanário O Diabo

Em Março foi revelado que António Costa viveu dois anos num apartamento de luxo pertencente a um dos mais poderosos grupos económicos nacionais, financiador do PS e do PSD. Seis meses depois, o actual candidato a primeiro-ministro continua a recusar mostrar qualquer prova de ter alguma vez pago renda por esse apartamento. Há cada vez mais semelhanças entre Costa e José Sócrates.

 

A investigação foi revelada pelo blogue Do Portugal Profundo em Março e as dúvidas multiplicam-se até hoje. António Costa viveu dois anos num apartamento de luxo em plena Av. da Liberdade que foi construído contra o parecer dos técnicos do Núcleo Residente da Estrutura Consultiva do Plano Director Municipal (um serviço da Câmara Municipal de Lisboa). Apesar deste parecer negativo, assinado por três técnicos superiores em 2008, a Câmara autorizou a construção desse duplex em 2009. Costa residiu nesse apartamento entre 2012 e o final do ano passado, altura em que acumulou a presidência da Câmara com a liderança do Partido Socialista (cargos que poucos meses antes garantiu serem totalmente inconciliáveis). O actual candidato a primeiro-ministro foi, recorde-se, presidente da Câmara de Lisboa desde Agosto de 2007 até Junho deste ano.

Mas a polémica não fica por aqui. O prédio onde Costa residiu pertence a uma imobiliária da família Violas – uma das mais poderosas do país, detentora de um império empresarial que abrange a Solverde (que controla vários hotéis e cerca de 40% dos casinos portugueses), Cotesi (o maior produtor mundial de fio agrícola), Unicer (a maior empresa nacional de bebidas) e BPI (são accionistas fundadores do banco, onde têm realizado vários reforços de capital), entre muitos outros investimentos. Em Março, quando este escândalo rebentou, Costa afirmou ao jornal Público que pagava uma renda de €1100, um valor curiosamente bastante inferior ao praticado naquela zona – trata-se de um apartamento desenhado pelo arquitecto Carrilho da Graça (um dos mais conceituados do país) num prédio com porteiro, localizado na 35.ª avenida mais cara e a 10.ª mais luxuosa do mundo. É também, curiosamente, a zona onde Costa mais restringiu a circulação de carros (anteriores a 2000) – e fê-lo justamente no ano em que foi viver para a Av. da Liberdade (uma restrição que prejudica os lisboetas mais pobres e é considerada inconstitucional por vários juristas).

António Costa deve esclarecer aos portugueses em que circunstâncias conseguiu este valor de arrendamento. Deve também esclarecer se existiu mesmo algum contrato de arrendamento, e em que repartição de finanças está depositado. Os cidadãos têm o direito de saber se este candidato a primeiro-ministro está de alguma forma em dívida com um dos maiores grupos económicos nacionais, financiador dos maiores partidos políticos. Este pedido de esclarecimentos foi efectuado em Março aos gabinetes de Costa na Câmara de Lisboa e no Partido Socialista. Seis meses depois, continua a não existir qualquer resposta de Costa, da Câmara ou do PS.

Também em Março, Costa entregou no Tribunal Constitucional a declaração de interesses a que está obrigado por ser titular de cargos políticos (apesar de o ter feito 46 dias após o prazo máximo previsto na lei). E esta declaração revelou que chegou a receber cerca de €7700 mensais pela sua participação no Quadratura do Círculo, da SIC Notícias. Costa tornou-se comentador desse programa em Abril de 2008 – poucos dias antes de ser introduzido na poderosa organização Bilderberg pela mão do dono da SIC, Francisco Pinto Balsemão.

Há cada vez mais semelhanças entre Costa e José Sócrates. O anterior primeiro-ministro, que está em prisão preventiva desde Novembro do ano passado, também começou a ser escrutinado pela blogosfera. E a investigação às incongruências no currículo académico do “engenheiro” também foi iniciada, em 2005, pelo professor universitário António Balbino Caldeira, autor do Portugal Profundo. Só mais de dois anos depois o Público pegou nesse caso. Foi novamente o Público que publicou as dúvidas sobre o passado de Costa, num artigo assinado pelo jornalista José António Cerejo – que semanas antes tinha revelado as dívidas de Passos Coelho à Segurança Social.

Comentários

  1. Pilar Monteiro diz

    Não há fumo sem fogo! Quando alguém, pede para uma pessoa esclarecer algum assunto que possa beliscar a sua honestidade e correcção, caso não tenha nada a esconder, por estar tudo legal e é tudo honesto, será a própria pessoa a quem a pergunta é dirigida, que quererá responder a tudo o que lhe perguntarem, para não restar nenhuma dúvida…

    Se não mostra, é porque qualquer coisa não estará dentro da legalidade…

    Não me admiraria nada que A.C. esteja ligado ao 44…O estilo é o mesmo. E, depois de todas as vigarices, malabarismos que o A.C. fez e continua a fazer, 1º. ao Seguro nas eleições primárias do PS e depois tudo o que tem feito, para chegar a 1º Ministro, passando por cima até da idealogia do partido. Será só sede de poder??

    Aguardemos por mais este episódio que provavelmente nos levará a descobrir mais um …não é preciso dizer, pois não?

    A Justiça está atolada de processos. Tudo levará o seu tempo…

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