As pontas soltas do voo MH17

UKRAINE-RUSSIA-CRISIS-MALAYSIA-ACCIDENT-CRASH

Artigo publicado a 12 de Agosto de 2014 no semanário O Diabo

O caso do voo MH17 abatido na Ucrânia mostra como as televisões manipulam e censuram informação. Mesmo quando essa manipulação pode levar à III guerra mundial.

 

Não há dúvidas que o abate do voo da Malaysia Airlines MH17 nos céus da Ucrânia foi um crime hediondo e intencional. Mas, um mês e inúmeras sanções depois, continua a não existir nenhuma prova concreta do envolvimento da Rússia. A 22 de Julho, a equipa de Obama organizou uma conferência de imprensa onde um representante dos serviços secretos norte-americanos disse isto sobre os autores desta carnificina: “nós não sabemos nenhum nome, não sabemos qual a hierarquia e nem sequer temos a certeza da nacionalidade”. Mesmo assim a maioria da comunicação social e dos políticos ocidentais responsabilizam pessoalmente Vladimir Putin pelo abate do voo MH17.

Um bom exemplo da manipulação realizada pelas televisões é uma reportagem da BBC – que oficialmente nunca existiu. A 23 de Julho, a BBC Rússia publicou no seu site oficial uma reportagem em vídeo sobre o abate do MH17. Mas, momentos depois, foi apagada sem qualquer explicação. Felizmente, vários internautas conseguiram guardá-la. No vídeo é possível ver Olga Ivshina, jornalista da BBC Rússia, a explicar como “os habitantes das aldeias próximas (do local onde o MH17 caiu) garantem ter visto caças militares no céu durante a catástrofe. Segundo eles, o avião de passageiros foi abatido pelos caças.” Segue-se uma testemunha: “Houve duas explosões no ar. O avião de passageiros explodiu, partiu-se e ao lado estava um caça. Todos o viram. Logo depois o caça deu meia volta e desapareceu de vista”. Outras testemunhas dizem o mesmo. A jornalista dirige-se em seguida para o local onde, de acordo com uma fotografia divulgada pelos serviços secretos ucranianos, teria sido disparado o míssil contra o MH17. No entanto, Ivshina não encontra nenhum vestígio do lançamento de um míssil, e nenhum dos habitantes locais viu um lança-mísseis Buk. Porque é que a BBC auto-censurou esta reportagem? Teria sido por contradizer a versão oficial que nos contam? Recordo que as forças pró-russas não possuem nenhum avião, e que os russos apresentaram registos de radar que mostram um caça militar ucraniano Su-25 a voar muito próximo do MH17.

Esta é a reportagem da BBC Rússia, tal como foi produzida, sendo apenas acrescentadas legendas em português. O vídeo foi descarregado dos servidores oficiais da BBC antes de ser apagado, e está neste momento banido não só da BBC como também do YouTube e do Facebook. Olga Ivshina continua a colaborar para a BBC e está neste momento na Crimeia, mas nunca mais referiu nada sobre o voo MH17.


A reportagem censurada pela BBC by ESCUDOpt

Terá o voo MH17 sido abatido intencionalmente pelos militares ucranianos, com vista a culpar os pró-russos? A 29 de Julho, a estação de televisão canadiana CBC News divulgou uma entrevista a Michael Bociurkiw, que fez parte da primeira equipa de investigadores da OSCE a chegar aos destroços do avião, ainda estes fumegavam. Bociurkiw revelou existirem “duas ou três peças da fuselagem que parecem ter sido furadas por tiros de fogo muito, muito pesado, marcas que não vimos em mais lado nenhum. E não encontrámos nenhum vestígio de um míssil.” No vídeo abaixo é possível ver um excerto da entrevista a Bociurkiw, assim como imagens de alta definição das peças furadas por balas de grande calibre. Estas imagens não foram retransmitidas em nenhum outro canal televisivo:

Neste momento circulam pela internet várias imagens destas peças cravadas por balas enormes, que parecem pertencer ao cockpit do avião (ver foto no topo deste artigo). O ex-piloto da Lufthansa Peter Haisenko afirmou no portal anderweltonline.com que, com base na observação de todas as fotografias dos destroços, “o MH17 não foi atingido por nenhum míssil”. E salienta que os caças Su-25 possuem canhões de calibre 30mm.

Porque não foi constituída uma comissão de investigação independente, com vários países? Onde estão as ‘provas’ dos americanos? Porque é que o governo ucraniano não mostra os seus registos de radar? Porque não divulgam as gravações das comunicações entre os controladores de tráfico aéreo e o avião abatido, confiscadas pelos serviços secretos ucranianos logo após a tragédia? Quem dirigiu o voo MH17 para uma zona de guerra, quando já era considerada perigosa por várias companhias aéreas? Estas perguntas mantêm-se sem resposta.

Para saber mais leia O que não nos dizem sobre o voo MH17, publicado em Julho. O vídeo abaixo, produzido por James Corbett do site The Corbett Report, revela toda a informação disponível neste momento (fim de Agosto) sobre este caso – a informação factual, não as teorias da conspiração propagadas nas nossas televisões.

Comentários

  1. Ricardo diz

    So uma pergunta, o SU-25 pussui um tecto de 7200m e o avião voava a 10000m, apenas transporta misseis antiaereos de curto alcançe que em condiçoes ideias atigem pouco mais de 3000m, ora a voar nunca se atingem condições ideias. PS: se referirem que houve um su-25 que atingium os 10000m foi apenas num teste com combustivel no minimo desprovido de armamento e blindagem.

    O SU-25 é um avião de ataque ao solo e por isso voa maior parte do tempo rente ao solo.

  2. diz

    Olá Ricardo,

    Isso é realmente o que as fontes pró-norte-americanas afirmam. Os russos, por seu lado, afirmam que o Su-25 consegue (sem mísseis) alcançar os 10000 metros, precisamente a altitude que o controlo de tráfego aéreo ucraniano pediu aos pilotos do MH17 para descerem. Algumas fontes justificam que teria sido por causa de mau tempo – mas os registos meteorológicos mostram que isso é falso. Recordo que o Su-25 é de fabrico russo. Recordo também que para se usar o sistema lança-mísseis Buk é necessário ter apoio de radar – algo que nunca ninguém disse que os pró-russos têm. E já agora, recordo também que os ucranianos possuem vários Buk – todos de fabrico russo.

    Vamos aos factos: os russos apresentaram registos de radar que mostram o Su-25 ao lado do MH17. Os americanos dizem que os seus registos contradizem os registos russos – mas nunca os mostraram. Os russos pediram aos americanos para mostrarem todos os registos de radar e imagens de satélite – e os americanos não mostraram nada. Os americanos não mostraram até hoje uma única evidência que colocasse em causa os dados dos russos.

    Os russos, horas depois da tragédia, mostraram o que tinham. Do outro lado, quase dois meses depois, continuamos à espera:
    – de uma comissão de investigação verdadeiramente independente, com vários países;
    – das provas dos americanos;
    – dos registos de radar do governo ucraniano;
    – das gravações das comunicações entre os controladores de tráfico aéreo e o avião abatido, confiscadas pelos serviços secretos ucranianos logo após a tragédia;
    – que esclareçam quem dirigiu o voo MH17 para uma zona de guerra, quando já era considerada perigosa por várias companhias aéreas;
    – que divulguem as informações que estão nas caixas negras;
    – que expliquem os danos na fuselagem do MH17, que colocam em causa toda a versão oficial;
    – e muito, muito mais está por explicar.

    Isto sem esquecer toda a mentira e desinformação que foi difundida pelo ocidente desde a primeira hora – ver O que não nos dizem sobre o voo MH17.

  3. Ricardo diz

    Sr Basilio os russos tambem apresentaram testemunhas de pessoas que até o sU-25 viram disparar a 10000m quando na realidade até um avião comercial 70m se tem dificuldade em ver quanto mais um pequeno avião de ataque.
    Depois quando o SU-25 consiguiu apenas em testes atingir essa altitude foi com o peso menino, ou seja placas de blindagem retiradas, combustivel minino, em sem peso extra, ora isso implica sem misseis, sem muniçoes no canhão, alias vou até sem o canhão para essa altitude. Quem compila provas de magnitude e consequencias tão grandes em tão pouco tempo é porque tem algo a esconder.

    PS: o sistema BUK consegue funcionar sem o radar director de tiro basta disparar o missel e que o mesmo esteja virado para a direcção do alvo que o proprio fica a trabalhar com o seu radar interno e sendo um rota aerea cruzada internacionalmente conhecida e hoje em dia até consegue consultar a direcção dos aviões em tempo real na internet(ex: Flightradar24) é facil viral a plataforma de misseis e fazer o tiro. A propria plataforma pussui radar mas a mesma naõ pussui IFF.

  4. diz

    Caro Ricardo vi essa história das testemunhas repetida em vários sites, no entanto nunca vi a fonte, continuo sem saber que testemunha disse algo desse género, onde, quando e a quem. E mesmo que exista algures um falso testemunho, isso não invalida os testemunhos credíveis, como os que foram censurados pela BBC.

    Se é impossível um Su-25 chegar perto de um avião comercial, teria sido muito fácil aos norte-americanos apresentarem esse argumento. No entanto, até hoje, os únicos argumentos dos norte-americanos são um vídeo no YouTube e posts em redes sociais.

    Você diz que se os russos apresentam provas é porque têm algo a esconder? Então o que diz de quem não apresenta nada há quase dois meses? Não serão esses que terão algo a esconder? Sabe que este é o único caso na história recente da aviação no qual as gravações das comunicações entre os controladores de tráfico aéreo e os pilotos do avião destruído foram escondidas dos investigadores e do público? E diz você que para operar um sistema Buk, lançador de mísseis terra-ar guiados por radar, não é preciso ter nenhum radar, e basta as informações que vêm no site Flightradar24? Você ainda tem mais imaginação que os americanos, pena que não tenha nenhuma ligação com a realidade.

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