A ameaça de Fukushima

Fukushima

Publicado a 12 de Novembro de 2013 no semanário O Diabo

Enquanto as televisões distraem a população com o futebol e os fados políticos do costume, mantém-se o silêncio sobre uma das catástrofes mais críticas dos últimos tempos. Como devem recordar, a 11 de Março de 2011 um sismo de magnitude 9.0 provocou um tsunami devastador que destruiu cidades japonesas inteiras. Atingiu também a central nuclear Fukushima Daiichi, danificando três reactores que entraram em fusão nuclear descontrolada, um perigosíssimo acidente conhecido como meltdown. Desde essa data são continuamente libertados níveis altamente elevados de radiação para o Oceano Pacífico e para a atmosfera de todo o hemisfério norte.

Estudos científicos recentemente divulgados confirmaram que a radiação libertada – só entre 1986 e 2004 – pelo acidente na central de Chernobil (na antiga União Soviética) matou cerca de um milhão de pessoas e afectou oito milhões, um pouco por toda a Europa. E de acordo com dados oficiais, a quantidade de radiação libertada em Fukushima é já seis vezes superior à libertada em Chernobil.

Vários cientistas internacionalmente reconhecidos têm alertado para a gravidade desta situação. Um deles é David Suzuki, que na semana passada afirmou que um novo sismo de magnitude 7 ou superior no Japão poderá expor as placas de combustível nuclear armazenadas num quarto reactor danificado em Fukushima: “A probabilidade de um sismo dessa magnitude ocorrer nos próximos três anos é superior a 95%. Se esse combustível nuclear for exposto, é o fim do Japão – deixará de ser habitável devido à radiação. E toda a população da costa oeste dos Estados Unidos teria de ser evacuada. Se isto não é assustador, não sei o que será”.

Neste momento, a TEPCO – a maior eléctrica do Japão e proprietária da central de Fukushima – está a iniciar um extenso e arriscado processo de remoção do combustível nuclear nesse quarto reactor. Não só é a empresa responsável pelo acidente nuclear, como tem um longo historial de falhas de segurança, ocultação de fugas de radiação e falsificação de relatórios – e o mundo como conhecemos pode estar nas mãos dela.

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