Deixem a Síria em paz (2)

Publicado a 17 de Setembro de 2013 no semanário O Diabo

Na semana passada, as TVs recordaram os atentados de 11 de Setembro de 2001: um dia em que quatro aviões desviados circularam durante mais de uma hora no espaço aéreo mais controlado do planeta, sem nunca serem incomodados por uma Força Aérea norte-americana preparada para interceptar em poucos minutos qualquer avião que saia da sua rota. Ainda as Torres Gémeas estavam de pé, já as TVs nos diziam que os ataques tinham sido organizados por ‘homens das cavernas’ escondidos no Afeganistão. Quem eram eles? Pertenciam à organização terrorista mais temida do planeta – a Al-Qaeda. Dias depois, as TVs diziam-nos que era necessário intervir militarmente no Afeganistão. O objectivo? Destruir a Al-Qaeda. Doze anos depois, as mesmas TVs dizem-nos que é necessário intervir militarmente na Síria. O objectivo? Apoiar a Al-Qaeda.

Na anterior edição d’O Diabo citei alguns dos artigos publicados na imprensa estrangeira que demonstram como os ‘rebeldes’ sírios, apoiados pela NATO e várias agências americanas, pertencem à mesma Al-Qaeda que os EUA supostamente combatem noutros cenários de guerra. As TVs dizem-nos que temos de ajudar os ‘rebeldes’ a instituírem a democracia na Síria. Que tipo de democracia?

Vários vídeos, filmados pelos próprios ‘rebeldes’ e publicados na internet, mostram a pena que aplicam aos seus opositores: a decapitação. Num dos vídeos, revelado em Maio pela revista Time, um ‘rebelde’ come bocados do corpo de um militar sírio. Também em Maio, várias fontes sírias e russas garantiram que forças ‘rebeldes’ massacraram toda a população – incluindo mulheres e crianças – da aldeia síria de maioria cristã al-Duvair. Logo em Dezembro, o jornal The Australian confirmara o destino dos cristãos apanhados pelos ‘rebeldes’: “são decapitados, cortados em pedaços e atirados aos cães”.

E recordo que Carla del Ponte, da comissão de inquérito da ONU sobre as violações dos Direitos Humanos na Síria, afirmou em Maio que “de acordo com as provas que recolhemos, os rebeldes já utilizaram armas químicas, fazendo uso do gás sarin”. Já agora, onde estão mesmo as provas de que Assad tenha lançado algum ataque químico?

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